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Alfenas, MG, Brazil
PENSADOR POR NATUREZA, GEÓGRAFO POR OPÇÃO.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Bússola pode estar desregulada

Usar correctamente uma bússola exige uma série de conhecimentos básicos, que vão desde conhecer os pontos cardeais até à declinação magnética do local em que o observador está. O problema é que o pólo magnético da Terra não é um local fixo e à medida que o tempo passa vai-se movimentando, fazendo com que os mapas tenham constantemente de ser actualizados.

A Terra sofre variações magnéticas e, desde há muito tempo, sabemos que o nosso planeta possui dois pólos fixos – Norte e Sul –, mas um grupo de físicos e navegadores diz que não é bem assim. Se por um lado, os pólos geográficos que marcam o eixo de rotação da Terra não se movem ou quase não se verifica, os pólos magnéticos estão em constante movimento, seguindo tudo aquilo que se passa nas entranhas do Mundo.

No coração do planeta há grandes movimentos que vão modificando o funcionamento do dínamo, onde nasce o campo magnético terrestre. Aquando de um congresso anual da União Americana de Geofísica (AGU), uma equipa de investigadores avançou os últimos cálculos: o pólo Norte magnético desloca-se a grande velocidade – 55 quilómetros por ano – e aproxima-se cada vez mais do pólo geográfico.

A partir de 2007, o pólo Norte magnético encontrava-se a 550 quilómetros do pólo geográfico (com uma latitude de 83.95°N e uma longitude de 121.02°O), segundo dados de um investigadores franco-canadianos. Estudos anteriores verificaram um movimento de menos de dez quilómetros por ano até 1980. Anos mais tarde, este acelerou e estabeleceu-se nos 55. Com este ritmo, poderá atingir a costa siberiana em 2040, segundo o Instituto Polar, em Inglaterra.

Arnaud Chulliat, investigador do Instituto de Física do Globo, em Paris, explica que “os modelos sugerem que existe uma região de magnetismo em rápida transformação na superfície do núcleo terrestre, possivelmente criada por um misterioso manto de magnetismo proveniente do interior do núcleo”.

Hoje, o espaço entre ambos os pólos e a inclinação magnética têm um papel menos importante do que em anos anteriores para os transportes marítimos e aéreos. O Sistema de Posicionamento Global (GPS) fornece localizações precisas, com a transmissão por satélite, independentemente do campo magnético terrestre.

Contudo, ainda nos dias que correm, o Serviço Hidrográfico da Marinha Francesa faz questão de manter mapas marítimos em dia e estão sempre informados sobre as variações do campo magnético terrestre, porque esses mapas usam um sistema de meridianos onde cruzam os pólos geográficos, mas os magnéticos não estão no centro desses pólos.

Diferença paquidérmica

 Um novo estudo realizado por pesquisadores norte-americanos e britânicos revelou que existem duas espécies de elefantes na África e não apenas uma, como se acreditava até agora.
Os pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard (Estados Unidos), da Universidade de Illinois (Estados Unidos) e da Universidade de York (Reino Unido) utilizaram análise genética para provar que, na África, o elefante das savanas e o elefante das florestas mantiveram-se separados por vários milhões de anos.
Os resultados do estudo foram publicados na revista de acesso aberto PLoS Biology. Os cientistas compararam o DNA de elefantes modernos da África e da Ásia ao DNA extraído de duas espécies extintas: o mamute e o mastodonte.
De acordo com os autores, pela primeira vez foram geradas sequências para o genoma nuclear do mastodonte. Também é a primeira fez que se realizou uma análise conjunta do elefante asiático, dos elefantes africanos da floresta e da savana, dos mamutes e do mastodonte americano.
“Do ponto de vista experimental, enfrentamos um grande desafio ao extrair sequências de DNA de dois fósseis – de mamutes e mastodontes – e alinhá-los com o DNA de elefantes modernos sobre centenas de segmentos do genoma”, disse Nadin Rohland, do Departamento de Genética da Escola de Medicina de Harvard.
“A descoberta surpreendente é que os elefantes das florestas e das savanas da África – que alguns acreditavam ser da mesma espécie – são tão distintos entre si como os elefantes asiáticos e os mamutes”, disse David Reich, professor do mesmo departamento.
Os cientistas dispunham de DNA de apenas um único elefante de cada espécie, mas conseguiram extrair, de cada genoma, dados suficientes para analisar milhões de anos de evolução até a época em que os elefantes divergiram pela primeira vez entre eles.
“A divergência das duas espécies ocorreu mais ou menos na época da divergência entre os elefantes da Ásia e os mamutes”, disse Michi Hofreiter, especialista no estudo de DNAs ancestrais no Departamento de Biologia de York. “A ruptura entre os elefantes africanos das savanas e das florestas é quase tão antiga como a ruptura entre os humanos e os chimpanzés. Esse resultado nos deixou muito surpresos.”
A possibilidade de que se tratava de duas espécies separadas foi levantada pela primeira vez em 2001, mas o estudo atual fornece a prova mais contundente até agora de que elas são de fato distintas.
Anteriormente, muitos naturalistas acreditavam que os elefantes africanos das savanas e das florestas fossem duas populações da mesma espécie, apesar das consideráveis diferenças de tamanho observadas. O elefante da savana tem uma altura média, do chão até o ombro, de 3,5 metros. O elefante da floresta tem uma altura média de 2,5 metros. O elefante da savana pesa entre seis e sete toneladas – aproximadamente o dobro do peso do elefante da floresta.
As análises de DNA revelaram uma ampla gama de diferenças genéticas entre as espécies. O elefante da savana e o mamute têm uma diversidade genética muito baixa, enquanto os elefantes da Ásia têm diversidade média e os elefantes da floresta têm uma diversidade muito alta. Os pesquisadores acreditam que essas diferenças se devem à variação dos níveis de competição reprodutiva entre os machos.
“A partir de agora temos que tratar os elefantes da floresta e da savana, para fins de conservação, como duas unidades diferentes”, disse Alfred Roca, professor do Departamento de Ciência Animal da Universidade de Illinois.
"Desde 1950, todos os elefantes africanos têm sido conservados com uma só espécie. Agora que sabemos que os elefantes da savana e da floresta são dois animais muito diferentes, a prioridade para fins de conservação deveria ser dada ao elefante da floresta”, disse.


O artigo de Nadin Rohland e outros pode ser lido em www.plosbiology.org

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Antropólogo sugere universalização de sistemas de renda mínima


Com trabalhos realizados no Lesoto, Zâmbia e África do Sul, entre outros, o antropólogo norte-americano James Ferguson, da Universidade de Stanford, defendeu uma maior atenção da antropologia ao tema da distribuição, em conferência realizada na última quinta-feira (28) na 34a reunião da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs). Em sua fala, ele afirmou os programas de distribuição de renda e de renda mínima como promotores do desenvolvimento em regiões pobres e como meio de reconhecimento da cidadania.
Distribuir os recursos seria uma questão de justiça tão válida em países ricos como pobres. “No Alaska, a população recebe uma renda distribuída pelo Estado como sua parte nos lucros derivados da exploração do petróleo. Na Noruega, a renda é distribuída pelo simples fato de todos serem cidadãos. Porque isso não é válido para os países africanos, tão ricos em mineração?”, questiona.
Ferguson defende os sistemas de renda mínima universalizados em lugar dos programas focalizados, que são voltados especificamente aos idosos, às crianças ou aos de mais baixa renda. Segundo ele, esse tipo de benefício direcionado custa mais caro, por causa da burocracia para evitar fraudes, e pode dar origem a injustiças que vitimam famílias que não se encaixam nos requisitos mínimos, mas igualmente necessitam dos benefícios. “Mesmo um valor muito pequeno, como 16 dólares por exemplo, faz com que as pessoas se sintam reconhecidas pelo Estado, leva a mudanças econômicas significativas e é um ponto de partida para que o benefício seja aumentado a partir de pressão popular”, aponta.
A partir de exemplos coletados em países do sul da África, Ferguson afirma que o trabalho não assalariado está crescendo nas regiões urbanas e diz que há equívocos na classificação dessas pessoas, tanto à esquerda quanto à direita do espectro político. “A esquerda os vê como trabalhadores desempregados, enquanto a direita os vê como micro empreendedores”, lembra o antropólogo, questionando a ideia de informalidade. “Eu não falaria em informalidade, mas em sobrevivência improvisada”.
Ao afirmar a antropologia como importante na análise dos problemas envolvendo a distribuição de recursos, Ferguson conta uma pequena história que mostra a insuficiência das categorias de análise em utilização hoje. “Após a crise da mineração na Zâmbia, muitos trabalhadores migraram para os centros urbanos. Com qualificação, mas sem empregos, muitos vivem de comprar cigarros em maço e vendê-los por unidade, avulsos”. Para as estatísticas, esse tipo de trabalhador está empregado e é um micro-empresário.
Em típica análise antropológica, o pesquisador criticou e dissecou o famoso provérbio chinês: "Antes de dar comida a um mendigo, dá-lhe uma vara e ensina-lhe a pescar". Segundo Ferguson, aceitar o provérbio significa aceitar que o problema dos pobres é uma mera questão de conhecimento, como se ele não fosse capaz de sobreviver e necessitasse que alguém os ensinasse. Além disso, o provérbio aponta para a direção errada, ao afirmar que o problema deriva da falta de produção, da necessidade de se pescarem mais peixes. Ao contrário, o problema da pobreza derivaria muito mais de uma questão de distribuição dos recursos.
Ferguson usa de um autor clássico da antropologia, Marcel Mauss – autor, entre outros, de Ensaio sobre a dádiva -, para dizer que o caminho de saída para crise atual, iniciada em 2008 e que lembraria em muito a crise da década de 1930, não é combater o mercado mas fortalecer o papel distributivo do Estado. A solução, na época, passou pela alteração do pêndulo em direção ao trabalho e distanciando-se do capital. “Mauss já nos mostrou que o mercado via além do capitalismo e é uma instância essencial de socialização”, conclui o antropólogo.

Fonte: http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=3&noticia=664